O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão imediata dos shows dos cantores Rey Vaqueiro e Léo Foguete, contratados para os festejos juninos de 2026 no município de Paramirim, no sudoeste baiano. A medida foi tomada após o órgão identificar indícios de superfaturamento nos cachês pagos às atrações, levantando questionamentos sobre a legalidade e a economicidade dos contratos firmados pela administração municipal.
De acordo com a recomendação assinada pelo promotor de Justiça Victor de Araújo Fagundes, os artistas teriam sido contratados por cachês de R$ 450 mil cada. Segundo o MP-BA, os valores estão acima da média praticada pelos mesmos artistas em apresentações realizadas durante os festejos juninos de 2025 na Bahia, mesmo considerando a atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
As investigações apontam que Rey Vaqueiro recebeu, no ano passado, média aproximada de R$ 280 mil por apresentação, enquanto Léo Foguete teve cachês em torno de R$ 350 mil. Para o Ministério Público, a diferença entre os valores anteriores e os contratos atuais pode representar dano ao erário e violação aos princípios da administração pública.
Além dos contratos envolvendo Rey Vaqueiro e Léo Foguete, o órgão ministerial também demonstrou preocupação com a possível contratação da dupla Maiara & Maraisa. Conforme o MP, não foram encontrados registros do contrato das artistas no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP), embora existam informações de que o cachê ultrapassaria R$ 700 mil.
Na recomendação, o Ministério Público determina que a Prefeitura de Paramirim apresente cópias integrais dos processos de contratação das atrações, publique todos os contratos no PNCP e comprove que possui capacidade financeira para arcar com os pagamentos sem comprometer serviços públicos essenciais, como saúde, educação e assistência social.
O documento destaca ainda que os municípios devem observar critérios de responsabilidade fiscal, transparência e interesse público ao investir recursos em festas populares, especialmente em períodos de dificuldades financeiras enfrentadas por diversas cidades do interior baiano.
A prefeitura terá prazo de cinco dias úteis para informar se irá acatar ou não as recomendações feitas pelo MP-BA. Caso as orientações não sejam cumpridas, o município poderá ser alvo de medidas judiciais, incluindo ações por improbidade administrativa.
A atuação do Ministério Público faz parte de uma fiscalização mais ampla sobre os gastos públicos relacionados aos festejos juninos na Bahia, período em que diversas cidades realizam contratações milionárias de artistas para apresentações culturais e musicais.
