O arrocha mantém o reinado nos palcos do São João da Bahia em 2026 e, desta vez, é Devinho Novaes quem puxa a fila das atrações mais contratadas. De acordo com a última atualização do Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público da Bahia, o cantor sergipano já soma ao menos 10 apresentações confirmadas no estado, todas com cachê fixado em R$ 300 mil. O valor garante ao "Boyzinho", como é chamado pelos fãs, um faturamento inicial de R$ 3 milhões só com o período junino. O cenário representa uma mudança no topo da lista, que em 2025 foi ocupada pela banda Toque Dez, liderada por Milsinho.
Natural de Aracaju, Devinho viu seu cachê crescer 20% em relação ao ano passado, quando o valor máximo cobrado era de R$ 250 mil. Em 2025, o artista realizou 21 shows no São João baiano com valores que variaram entre R$ 160 mil e R$ 250 mil, totalizando R$ 4,56 milhões arrecadados. O avanço coloca o cantor à frente de Netto Brito, que divide a segunda posição do ranking com o mesmo número de contratações: 10 shows. Os valores pedidos por Netto Brito oscilam entre R$ 220 mil e R$ 300 mil por apresentação, mas o artista entrou na mira do MP-BA. O órgão emitiu recomendação para análise dos preços cobrados após constatar que a média dos contratos dele em 2025 foi de R$ 190 mil. Corrigido pelo IPCA, o montante chegaria a R$ 199.880, o que aponta uma diferença de aproximadamente 45,1% para o valor atual de R$ 300 mil.
Tayrone ocupa o terceiro lugar com nove contratos fechados até o momento. Sete apresentações foram negociadas a R$ 380 mil e outras duas a R$ 350 mil, mantendo o cantor entre os mais requisitados pelo segundo ano consecutivo. Na sequência aparecem Thiago Aquino e Pablo, sendo que Pablo registra o maior faturamento do TOP 5: são R$ 4.908.000,00 por sete shows confirmados na Bahia, o que eleva sua média por apresentação para mais de R$ 700 mil.
A banda Toque Dez, que liderou as contratações em 2024 e 2025, caiu para a décima posição em 2026 com seis shows fechados. Apesar da queda no volume, o grupo teve alta expressiva no cachê, que chegou a R$ 500 mil neste ano. O valor foi definido como teto após acordo firmado com o Ministério Público da Bahia para regular os preços praticados nos festejos. O empresário Mário Paim, representante da banda, avaliou a medida como positiva e destacou o diálogo aberto com o órgão. “São acordos muito importantes. No entanto, mais importante ainda é o diálogo que se estabeleceu entre o trade dos empresários do setor artístico com o Ministério Público, porque isso vai abrir várias mediações futuras que beneficiarão a sociedade, a todos os envolvidos com os festejos, e, sobretudo, o cuidado e a transparência com o dinheiro público”, afirmou. A negociação envolveu ainda nomes como Solange Almeida, Igor Kannário, Batista Lima, Adelmário Coelho, Caviar com Rapadura e Forró dos Plays, e resultou em uma redução superior a R$ 5 milhões distribuídos em 52 contratos, sendo a Toque Dez a que teve maior corte.
O comportamento das contratações repete o padrão dos últimos quatro anos, período em que o arrocha se consolidou como gênero dominante. Toque Dez liderou em 2024 e 2025, Nadson O Ferinha foi o recordista em 2023 e Thiago Aquino em 2022. Para 2026, o Governo da Bahia anunciou que pretende reforçar a tradição junina e direcionar parte dos recursos para atrações locais e de forró. "Este ano temos uma novidade importante: a reserva de pelo menos 25% dos investimentos para a contratação de forrozeiros, bandas de forró e trios nordestinos, fortalecendo a identidade cultural que está na raiz dos festejos juninos", declarou o secretário de Cultura, Bruno Monteiro.
Das cinco atrações que compõem o TOP 5 divulgado pelo MP-BA, apenas oito shows foram contratados com verba estadual e nenhum deles está previsto para o período oficial do São João. Os outros 36 compromissos da lista foram firmados diretamente com prefeituras municipais, o que reforça o peso das gestões locais no financiamento dos grandes nomes do arrocha durante os festejos. Os dados seguem em atualização no Painel de Transparência e podem alterar o ranking até junho.
